domingo, 17 de outubro de 2010

O novo mito



A forte mãe nos põe
Fortes e por mares
Longínquos navegamos.
A mãe faz a casa por
Tempo longo incendiada
O oco de seu fruto.
A forma paradisíaca
Representa o fim
Do bruto anseio.
A estrela a festa
A pontiaguda arte
Americana e dionísica
Torna olímpica.
A pobreza termina hoje
Por onde a poesia fala.


Marcus Minuzzi


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A bênção


Acaricia meu rosto, querido.
Pois que espero a tua
Suave e doce maneira
De olhar meu sofrimento.
Quero a bênção das estrelas
Para um dia só a seu lado.
Cobre-me de poesia
Encharcada de letras tontas
Bem desenhadas
Por teu sereno Dionísio.
Atiça minha artista
Com tuas decorações
Delicadas, de gênero feminino.
As sutilezas em cor-de-rosa.
O ato bendito de louvar
A mãe do cerrado.
Tudo está escrito em
Teu oratório.
Tua devoção é que te salva.
Salva-nos.
Eis que estamos na flor.
Chegamos no cálice,
Vamos beber o néctar.
Amar rezando
Por nossos dias.
Reverenciar o amor.
Recriar
A arte.
Estamos uníssonos
E serenos.
Me beija,
Que ilumino teu santo.


Sílvia Goulart

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Rodas de força Maria


O nevoeiro faz
A arte do Brasil
Povoar o tempo.
A esperança orienta
O moço sagrado
Filho de Maria,
Preta mãe de todos.

domingo, 10 de outubro de 2010

A guerra




Para a Sílvia


O erguido manto da verdade
Revela nossa cruzada
Pelo teu domínio
Sobre o arteiro boi dionísio.
A moça fia o tempo
De alimentar o boi
Com teu poder feminino
De portar a fonte
Do exitoso amor.
Tenho a banhar
Meu pontiagudo intento
O carinho de tua escrita
De polidas musas
Fascinadas por
Nossa cópula tântrica.
A oração da deusa
Torna o boi
A fecundidade olímpica brasileira
De um novo mito.


Marcus Minuzzi

sábado, 9 de outubro de 2010

A fonte de Cora Coralina



A arte goiana ama ser imaginada onde não existe. O amor sonoro da ema representa este lugar sagrado para o artista. A mulher ancestral que Cora Coralina canta em seus poemas amorosamente cuida do povo goiano devido ao caráter ancestral de sua cultura. O ouro goiano que o Brasil não explorou com a coragem bandeirante será descoberto sob a forma de música.

Ouvir é função do poeta. Com o mar como metáfora, Fernando Pessoa criou a musa generosa, mas exigente, que, ao final de longa viagem pelos abismos da alma, receberia os “beijos merecidos da verdade”. Pessoa corresponde à “cabocla velha de mau-olhado” que Cora Coralina dizia viver dentro dela.




O mito brasileiro de que somos um povo alegre e pacífico somente será compreendido se compreendermos que o mito cumpre o papel da arte inovadora, que perscruta o anseio do momento histórico por qual passa a coletividade. O povo amadurece em ciclos, que correspondem a períodos de intensa provação. Com o mito, o alimento ornamental é tecido pelo povo enquanto cordura característica apta a sonhar. Com o sonho, o longínquo se aproxima e encanta.

O jeito goiano de reverenciar o boi espelha-se na goianidade obscura que Cora Coralina visitava em sonhos. O boi ritualizado em Goiás perde o medo de encantar-se pela princesa. O homem noivo já existe. A arte o torna astro cobiçado. O jeito mundano desse moço é mariologicamente guarnecido. Apesar do mundo lhe pintar os pés de amarelo, ele cobre-se de branco. Há nesse homem pássaro a sombra de um medo. Seu coração de Cristo eleva-o. O guerreiro humano acende-se em pontos caboclos. No canto do sertão mítico, as águas voam.



O rock erige dionísios fortes. Mas o santo os abate, como galos no terreiro. Os americanos do norte criaram um músico regional – o negro inventor do jazz e do blues. O negro ativa um Homero incendiário, no sentido de alegre músico angelicalmente sonhado como estrela. O rito ardente de moças brancas que amam dionísios músicos de rock iguala-se em Goiás ao fenômeno da música sertaneja. O astro explode em milhões de seguidores. O nome do mito de ontem ativa o antigo rei lusíada. O manto de Dionísio amplia o seu rei jurado.


Marcus Minuzzi


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O catavento


A esperança incontida
De passar os dias
Escrevendo sentenças
Vitais.
Tudo o que aprendi
No ato, no auge
Do sofrimento
A não escrita palpita
A dor.
Preciso dizer
O que nunca foi dito.
A crença da mulher,
O príncipe encantado,
Os sonhos impossíveis
Aflitos.
Confusões hereditárias.
Muitas lágrimas
Pelo caminho.
A vida retalhada,
Cada dobra,
Uma sina.
Aprendi o amor
Depois da cisão,
Quase uma sutura
Cicatrizada.
Quase perfeita.
O ato de refazer.
Este é o segredo da vida.
Aprendemos, mulheres da
Minha época, a costurar.
Pois nem todo o remendo
É mau sinal.
Aprendi a remendar
Com perfeição.
Costurei de ponta a ponta.
Refiz o amor.
Refiz minha união carnal.
Agora vou bordar com
Pérolas, pedrarias, linha
Cintilante amarela.
Agora vou dormir
Com ele.
Vou casar de novo.
Cresci.
Fui machucada.
Apedrejada.
Refiz.
Renasci.
Não tive juízo.
Fui sem limites
Na crença de ser mulher.
A dor doeu rasgando.
Fui despedaçada.
Refiz.
Renasci.
Montei, reformei o
Catavento destroçado.
Coloquei no ponto mais
Alto, para girar...
Está girando
A cada dia mais
Veloz.
Refiz.
Finalmente
Aprendi a remendar.


Sílvia Goulart


terça-feira, 28 de setembro de 2010

A boa hora



Que belo sol
Se abriu sobre
A copa verde
Deste menino rei.
Tenros fios
Jogados neste céu
De estrelas e
Bichinhos mágicos.
A sorridente vida
Que brota nas
Minas Gerais.


O maior ritual de vestir o bebê Raul, filho de Michelle e Rodrigo, se completa.

Em março, o "body" pintado e poeticamente assinado pel'A Negra Ama Jesus foi enviado de Goiânia para Belo Horizonte.

Agora, que o pequeno Raul já quase completa dois meses, a foto enviada por Michelle orna o nosso blog.

Temos a bênção de tornar o nascimento de uma criança um bem ornado ritual de aleitar o modelo fundamental do olímpico verso da deusa.


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A forte água mítica




1.
Menina além da dor,
Costura cigana.
O peito ornado por intocáveis ouros.
A mãe grega do americano Tejo.

Alimentas meu negro
Com dor artística.
Sou a alma musical do Brasil.

O negro avanço sobre teu leito,
A arte indígena.

O amor torna-se o bebê
Adornado de manto estelar.


Marcus Minuzzi




2.
Como em sóis,
És meu manto,
Meu delírio.
Sem fronteiras.
Sem rumo.
Ando a te buscar
Como a um gigante -
Másculo.
Olhos no cérebro,
Sois meu rei
Letrado.
Resumido
Em musical
Tragédia infinita
De samba
Sulino
E brasileiro.


Sílvia Goulart


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A bênção para Cristo Dionísio



1.
Oro por teus dias
Com desespero de loba.
Em tua cruz fixei meus bordados.
Andaluz,
Matéria escrita.
Novos ares
Em meu sertão.
Amor ao divino
E esculpido
Anjo.
És meu princípio
Masculino.
Onda de poesia,
Negro brasileiro.
Profeta sonhando
A floresta.

Sílvia Goulart


2.
O crescimento artístico
De um Brasil poderoso.
A vocação do monte pontiagudo,
Onde se amam os bentos frutos.
O ouro erguido entre monturos.
A aliança ornada de povos
Lembra o peneirar do Olimpo.
O negro adocica o lamento
E alimenta o menino.
A frondosa árvore a fonte
É do espírito.

Marcus Minuzzi


terça-feira, 14 de setembro de 2010

A oração que copula



1.
Cetro de saberes és.
O emblema comunicando
A graça do novo rei altivo
E portentoso,
De alma bem graciosa
E úmidos beijos ao amanhecer.
Serenai vossas vertentes filosóficas.
Multiplicai o desejo de vosso amor.
Estamos no ponto
Mais alto do
Alpendre de uvas
Rosadas e cheias
De sumo.
O gosto perecível
Apascentando a
Dor.
A consciência,
A palavra encantada
De todo o pensador.
Estamos à beira
Do riacho.
O sol guarda-nos.
Límpidas correntezas
Nos carregam.
Somos par.


Sílvia Goulart






2.
O ar imperial
Que todos queremos,
A dona da força
De ritos homéricos,
Da fundação de países.
O rei vassaldo aos teus pés.
A fonte nobre do país
São teus peitos.

A cor de tuas fantasias
Mais puras
A pureza mor mítica fortalece.
A fina literatura olímpica -
Se jarros a servem
Em forma de graciosa
Oração que copula.

Põe tua vulva onde
Toda minha firmeza de santo
Jorra conexões entre
Paz e revoluções.
Sou teu amado
Cristo Dionísio.
O formoso e esperado
Negro a quem tua marítima
Poesia se tece,
Como um véu de noiva.
A mãe geral do livro
Dorme onde a vigília
Panteísta é o sono.

Fantasia abre-se
Por toda a palavra
Orada pela ardorosa
Bruma.


Marcus Minuzzi


domingo, 12 de setembro de 2010

A oração fonte e mãe


Os beijos da alma,
Sentidos pela força
Química em minhas
Terminações nervosas.
Ar quando respiro,
Carícias quando preciso.
Choro para aumentar a dor.
Onde foi que lavei meu pescoço?
Andei parindo filhos,
Ardendo em calvários,
Fêmea demais,
Carreguei minha cruz.
Ainda procuro o ser
Profundo que me gera,
Que gera em mim
Absolutas marcas
De ter sido alvo
Da ama de ferro.
Rasguei todos os vestidos
Floreados.
Deixei em algum canto
Luvas de seda,
Sapatos de veludo.
Era menina,
Cozinharam meu
Cérebro,
Me espinharam o rosto.
Com o pó meu alicerce
Criou raízes profundas.
Não serei mais atingida
Pela reta e luminosa
Espada.
Estou rainha.
Estou bela.
Estou coroada.
Estou com asas.
Alada.
Pássara.
Passarinha sou.
Minhas penas,
Meu bico,
Meu voo.
Infinita sou.
Posso cantar,
Ser consistente e
Forte na esfera
Deste planeta.
Rompi a força do
Universo.
Estou
A
Esperar
A reza.
O envio
Maternal
Da
Santa.
A luz
De Nossa
Senhora.


Sílvia Goulart


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O amor alimenta o poema


1.
A moça comigo brinca na relva.
Estou bento iluminado
Com o membro
Amando tesouros míticos.
O segredo é peniano.
Ora a moça numinosa.
A puta brincando serena.
A musa aleita a densa alegria.
Rapaz admirando a generalidade
Onde o santo goza.
A noiva ornada de brasileira,
Antiga, infinita rua.

Marcus Minuzzi


2.
O moço pintado de ouro desvenda
Minha selva quente e luminosa.
Ó antigo rei ornado
De espada e punhal ferozes.
Amantes de belos cortes,
São loiros de porte altivo,
Olhos de arcanjos
De perfeita forma.
Sois meu par.
Meu adocicado bento fruto.

Sílvia Goulart

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Divinópolis


Conheci uma dama,
Mulher de primeira linhagem,
Mãe de cinco.
Também sou.
Lido com farofinha gostosa,
Arroz e feijão bem feitinhos.
Cozinho meu amor em pratos
Bem feitos, amo o trivial.
Mestra em nome divino - Adélia -,
Minha filha nomeou.
Antiga conta de rosário,
Como o amor de Maria,
Seu poema me capturou.
A ela rendo homenagens,
Beijo-lhe as mãos e os pés.
Oro por seus versos.
Pinto com dedos leves
Suas palavras.
As mulheres damas honradas
São todas filhas de Adélia,
Matrona de todo ofício,
Mulher.
Glória, glória, Adélia Prado.
És uma rainha encantada.
Não a conheço de perto,
Mas sinto sua alma enfeitada
De flores brancas.
Pés bem lisos,
Olfato e puro sentido.
A bênção, Adélia.
A bênção.


Sílvia Goulart

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O beijo ondulante




Para o Marcus

O astro fecundante me tocou o sexo.
Estou a gerar a nova forma ovariana.
Estou noiva do rei.
Vou parir serena.
Sou filha de mamãe,
Santa sem manto,
Rapariga.
Benze minha flor,
Unta meu colo,
Livra meu calvário.
Sou meninazinha ainda tenra.
Sonho com teus belos cachos,
Adornos em minha vulva.


Sílvia Goulart


O astro fecundante



Para Sílvia

A doce moça úmida
E bela pintora de cabeças
Domina a bênção.
O monte de pedra
Ardorosamente ora.
O Brasil alimenta
O formidável medo
Do menino dentro
De um novo mito,
Forte e doce
Como a beleza dionisíaca
Da floresta bíblica e permanente
Dos profetas que falam
O forte alfabeto artístico
Da Ama Negra.


Marcus Minuzzi

A conta coletora coletiva