Liturgia Amorosa de Corte À Rockalização dos Legados de Chico Buarque, Fernando Pessoa, Milton Nascimento, Carlos Drummond de Andrade e da Menina Revolucionária da Casa da Ponte.
Coletivo de Arte A Negra Ama Jesus: Ritualização Ornadora Dionisíaca.
Goiânia-GO, 26 set. 2012.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
O Bento Mar
Me findo,
Indo, pé ante pé.
Fico oculta,
Entre frestas.
Procuro andar
De pé.
Estou sutil.
Entre estrelas
E libélulas,
Perfuro o espaço
Extremo do Universo.
O que ainda
Não encontrei,
Há de estar
Logo ali.
Espero amar.
Sou um pequeno
Querubim.
Perfumo os
Sóis.
Sou azul,
O bento mar.
Poema e pintura: Sílvia Goulart
Foto: Marcus Minuzzi
terça-feira, 18 de setembro de 2012
A Geração Eterna De Marias
A onda caligrafista afaga teu músico.
Camões te inunda,
Porque és bela e ordenhada musa.
Poderá ele te mostrar
A forma não bruta,
Mesma serena homenagem à flor.
O rosário rende teu apogeu
Entre míticos reis destinados ao segredo.
Bate-se à porta do segredo.
Teu marido põe em tua mão
Um ascendente alimento.
O forte poço de liturgias,
A generalidade goiana.
Ouros macios e mesclados,
Morta a ingratidão.
Há no livro de Cora
Uma negra vazão olímpica.
A moça chora com tua finura
Terços por Maria.
Reza e chora e geração
Eterna de Marias.
Poema e foto: Marcus Minuzzi
Pinturas: Sílvia Goulart
segunda-feira, 16 de julho de 2012
A nova literatura do país
A arte carrega o charme masculino para o novo tempo do sexo brando e ardentemente feminino, reforçando o laço com a literatura de um novo país.
Texto e foto: Marcus Minuzzi
Pintura em camiseta: Sílvia Goulart
domingo, 15 de julho de 2012
Moderno mito remanescente
Menino meu, mar, montanha.
Moderno mito remanescente,
Morto em sua beatitude, revés,
Oriente próximo,
Possível,
Que recebeu do mar salgado
As destrezas,
A menor indolência, as cicatrizes.
Olho o mérito de teus livros.
Misturo-me a eles feito cobra.
Orgasmos cívicos.
Esta nação se faz de beijos
E de um glosar-se rumoroso,
Homérico.
Nosso mantra é amar-se
Em mitos não importa
Se originais ou redivivos.
A alegria fugaz dos livros
Reabastecemos com música.
A rádio-canção nos entoa,
Nos apruma.
Há foguetórios,
E o pandeiro redoura,
Menos lógico,
As certezas.
Pandeirito, como brilhas
Nas mãos de meninos.
Nenhum deles perturbará
Bons ventos,
Beiras de pias.
Menos ainda temerá navegar
Mulher adentro,
Sem mãos de esquecimento,
Mas com
Pedais de filosofia.
Poema e foto: Marcus Minuzzi
Pintura: Sílvia Goulart
sábado, 14 de julho de 2012
A pirâmide
A quem declaro-me soberana?
Estou entre céus e terra,
Ampliando o horizonte feminino.
Aquilo que está oculto
Ensina o enigma da mulher.
É preciso ser soberana
E sábia pastora.
Estou entre damas, espadas
E punhais.
Alcanço o ponto mais alto
Da nobre pirâmide.
Digam amém.
(Em homenagem ao aniversário de 58 anos da morte de Frida Kahlo, ocorrida em 13 de julho de 1954)
Poema e pintura: Sílvia Goulart
Foto: Marcus Minuzzi
domingo, 10 de junho de 2012
As borboletas
Suntuosas e saltitantes
Borboletas beijoqueiras
Fêmeas paqueradeiras
Ideias múltiplas
Alheias
Invadem
Entorpecem
E exalam
Das telas
De Sílvia Goulart
Útero maior
Abrigo
De dores e alegrias
Que derramam
Do altar
Ligando o sagrado à família
No tom da nobreza maior
Da fêmea santa aracnídea
Poema de Adélia Freitas da Silva em homenagem a Sílvia Goulart. Redigido durante o Sarau d'A Negra Ama Jesus, em 9 jun. 2012.
Foto recriando o videoclipe "Cora Coralina is alive" durante o Sarau d'A Negra. Produção: Marcus, Cazé e Vinícius.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Refaço a brasileira liturgia
Erro ferozmente
Até possuir
A poesia renovada.
Há o maio
Americano e amoroso.
A vida é a bênção mariana.
Refaço a brasileira liturgia.
A errática arte ritualística
Pertence à rica meretriz
Do mundo.
Poema: Marcus Minuzzi
quinta-feira, 24 de maio de 2012
O ouro do coração do Brasil
Uma onda brasileira
E cabocla
Toma o céu de Goiás.
Há cavalos ensandecidos
De dentes fortes
E soldados a guerrear
Pela herança Anhanguera.
O diabo agora é novo.
Não engana mais.
Antes, roda.
Dança catira
E maracatu.
O sertanejo é seu
Ouro.
As lavadeiras do
Rio Vermelho são
Moças bonitas
Bem letradas,
Ávidas por seus
Príncipes,
Cavaleiros da
Vanguarda tropical.
A cadência de seus
Tambores faz romper
E fluir o ouro do
Coração do Brasil.
Poema e pintura: Sílvia Goulart
Fotos: Marcus Minuzzi
domingo, 13 de maio de 2012
Cora Coralina is alive
A Negra Ama Jesus homenageia o materno coração coralino por intermédio da escrita pictórica de Sílvia Goulart, que recita poema próprio lembrando que a rua nova de Goiás tem escrito em intervenções que Cora Coralina está viva.
O amor antigo da Deusa arde por ritualizações como a deste vídeo.
sábado, 21 de abril de 2012
A loa para Milani
Hoje eu vi Oxum
Com seu tambor
Descompassado,
Encantando o
Terreiro.
Avistei sua luz
De Nega, fiel
Escudeira.
Seu reinado sufoca
O meu medo
De não ter quem
Me siga.
Libera, ó preta,
Esta moça que te cobre,
Esta força que te
Compõe,
Oxum guerreira.
Poema e pintura: Sílvia Goulart
Foto: Marcus Minuzzi
domingo, 15 de abril de 2012
A onda pensadora feminina
Sábia passarinha,
Onde vais com tuas graças?
A coroa, onda vaporosa e úmida
Que te cobre,
Lembra o Olimpo de prata,
Onda sonora.
Há música em teus ramos.
Iluminas a perfeição
Com teu vento.
Multiplicas versos.
A sabedoria poética
Que te cabe
Floresce e brota em tua
Copa.
Ó árvore nua,
Feminina andorinha,
Gentileza sábia de
Meu Deus.
Causa contida,
Teus cocares,
Tuas contas
Espalhadas,
Bicos maternos,
Anseios de mãe.
Floresta antiga.
Mata virgem.
És a amazônica porção
Do Brasil.
És ave bendita,
O que transforma
Tudo.
És o que não sabes,
Nem procuras ser.
Traço escolhido em sonhos.
Tua face espelha o logos
De Maria.
Ovários perdidos em teu
Cérebro governam o mundo.
Ó incessante busca de liberdade.
A mulher carrega a flor,
Nem anjo, nem bruta.
Quando pariu,
Nem sabia da dor.
Há uma estrela em teu olhar,
Seiva que molha teus filhos.
Benta rosa escolhida,
Ocultas o segredo
Maior.
A mulher não cabe
No espaço.
Espalha, ramifica,
Cresce e ordena.
Submete-se,
Dissimulada,
Envolve e
Mata.
Poema e pintura: Sílvia Goulart
Foto: Marcus Minuzzi
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Alforria
Estou amando
Essa mulher
Como amo o rito
Do samba.
Há um prazer muito
Íntimo,
Uma sonhadora
Admirável
Que me orna
De alforria
Discreta,
Mas inabalável.
Tenho
Um pai jurado,
Fortalecido
No Olimpo brasileiro.
Amo esse medo
Que me proporciona
O samba,
De tecer
E tornar a tecer
A realeza
Que foi minha,
De eu menino.
Meu mito não é o de um ser
Facilmente amoroso.
A menina que há
Tanto tempo
Anda comigo,
Sabe.
O Brasil
É respiração
Dionisíaca
Que poderosamente
Encanta
Com seu fogo
Amável, alto,
Puro
E sincero,
Artifício
Inteligente
Da
Eternidade feminina.
Esse
Quadro
Mesmo,
O mais
Recente
Que Sílvia
Pintou,
Agora
À minha
Frente,
Fornece
A
Amorosa
Visão
Do
Rito
Ovariano.
A negra
Irmandade
Não
Quer
Para si nenhuma
Ponta de reconhecimento.
Amamenta
O terno boi
Brasileiro
Com a literatura
Mole
Do reino úmido
Que,
Em Goiás,
Gerou Cora Coralina.
Ponho meu
Ouvido,
Sílvia Cristina,
Em teu
Bico de seio,
E Pernambuco
Se põe em posição
De uma força
Materna glosadora
Do novo mudo.
Oro à mãe
Por teus poemas,
Pés de fruta,
Amante que sou
Do livro
Eterno
Rico
E
Formoso.
Limo
A pobreza
Que amei
Um dia
E que
Representou
O andrajo
Do poeta
Solitário.
Há boninas
Perfumadas
Sobre o monte
Da Vila Rica.
Poema e fotos: Marcus Minuzzi
Pintura: Sílvia Goulart
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
O abismo
Se a conspiração divina me desse apenas um dedo para riscar o chão, seria como se eu pudesse construir uma ponte.
Poderia cruzar o abismo sem tocar os pés no chão.
Também poderia encenar um monge budista, um sultão ou usar o turbante indiano. Piscar com os olhos de dama.
Atravessar a floresta como o passeio de uma borboleta amarela. Cipó amarrado no braço. Uma esteira de bambu.
Eu queria ser a flor que nasce das crassuláceas. Imitar o cheiro do amaricá na beira dos rios.
Mas ainda falta um pedaço de abismo.
A virgem me guia com a ajuda de um anjo rico. Há uma pedra em sua fonte.
E eu, esta flor a coroar seu riso, tento voar com pés de brisa.
Poema e pintura: Dona Deusa Sílvia Goulart
Foto e declaração: Marcus Minuzzi
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
A guerra florida
Em minha cabeça florida
Verdejam ramos de ancestralidade
Africana, indígena, francesa...
Ah! Que quase miscigenado
Perfil de guerreira.
Minha cabeça florida
Carrega as dores do mundo.
Carrego um pentagrama,
Borboletas amarelas
E sonhos.
É preciso guerrear
Com meus cegos.
Meus olhos não
Vêem o que está
Na escritura, nem
Podem saber qual
É o limite desta pátria.
Escavações abrigo
Em minha cabeça
De mãe.
Sou cinderela em
Sonho nordestino.
Meu suspiro por
Lampião
Afasta o medo
Da morte.
Ainda serei plantada
Como árvore no sertão.
Meu nome será escrito
No livro das bênçãos.
Uma dama, certamente.
Uma pitonisa
Com sua copa
Em flores e vistosas
Asas apontando para
O céu.
Meu sereno balanço
Há de ocupar o
Vento.
Ainda como criança
Irei brincar.
Poema e pintura: Sílvia Goulart
Foto: Marcus Minuzzi
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