domingo, 15 de agosto de 2010

O amor profundo da deusa


O gozo frutifica a carne.
Recria o manto amoroso da deusa.
Mãe velha,
Mãe benta,
Mariazinha da cachoeira.
Pequenina onda de cachinhos amarelos dourados.
Grande canto,
Eco da floresta.
Ninguém resiste ao te escutar a voz.
Sereia negra,
Branca, prateada.
Grandiosa prenda,
Vertente ejaculada.


Sílvia Goulart

Passar os dias vegetalizando o Cristo será o meu segredo bom


Povo, que ruim o teu destino, que doce o teu gosto. O povo reserva iguarias. A liga de teus cimentos, o laço dormido. Há, no esquecimento, um mérito: não vemos que somos, no fundo, o mesmo. O mesmo segredo.

Sou pessoa ordenhal. Ríspidos medos me criam. Sei que quero perdê-los. Mas eles me criam. Fragmentaram meu osso. Provei que possuo laço com dedos barrocos.

Meu "ser gauche na vida" foi ter amado o amor como amor de ordenha. Sempre há uma primeira espuma, branca, de sabor inigualável. A neve é branca, e as brincadeiras, assim como a paina.

Voar no estábulo, quietinho era eu. A voz, lento sinal. Viro poderoso mago, forte com a lentidão do espaço. Zeus trovão, não mais tenebroso te vejo. Laços menos divinos. O medo silencia. O mago homenageia teu espírito escrevendo, murmúrio de lágrimas. É metro o teu beijo.

Perderei meu jeito faraônico, de perder para o desejo de te enaltecer com templos. O meu tempo é casto de menos. Nada, no sagrado, avizinha mais do que perdê-lo.

O lábio pendido da moça molha meu verbo, o pinta. O pai sempre será segredo. Porém, perde seu padrão de fantasia quando a maior mulher de minha vida me denta com ardor minhas primitivas ânsias de ser homem primeiro, homem real.

Pus véu no meu sexo. Pai, não deixa olhar. O padrão vegetal de sacralizar merece respeito.

Passar os dias vegetalizando o Cristo será meu segredo bom, boa poesia, os anéis de meus dedos.


Marcus Minuzzi

sábado, 14 de agosto de 2010

O ainda secreto


Veja meu amor como é lindo crer
Na poderosa e transformadora força
Cósmica que ora se faz verdadeira
Por estarmos aqui.
Juntos.
Felicidade é só aquilo que pode ser
Tragado em pequenos espasmos.
É quando sentimos conforto em nossos
Periféricos e secretos desejos.
Não é o óbvio que nos faz felizes.
O ainda secreto e o mais sutil,
O desígnio angelical impelido pelas musas
Nos coloca na proa.
Agora vamos adiante.
Vamos sem medo.


Sílvia Goulart

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ao pai

O pai planta a forma
Do amado príncipe.
Ao pai cabe a espada
Do comando quase cruel,
Porque o pai amado
Fere
Com seu decisivo e
Supremo cajado.
O pai assim o faz
Com seus abençoados
Pés.
Seus serenos dedos
Esculpem o novo modelo
De amor.
Ao pai rendem-se todos os
Dias esperançosos de pão,
Vindouras alegrias do futuro
Traçado com seu bento suor.
Para o pai, a esperança do
Equilibrista.
A mão benta de uma mãe
Preta e terna.


Sílvia Goulart

sábado, 7 de agosto de 2010

A peneira


À Sílvia, maior mito tornado fruto


A destreza
Mítica
Torna
A
Musa
Fonte
De
Imenso
Gozo.
Eu
Planto
Na
Tropical
Floresta
A
Maior
Pátria
Onírica.
És
Mulher
Bendita
E
Meiga.

Forma
Pictórica
E
Ordenhal
De
Tântrica
Rainha,
Moça
Vinda
Do
Tempo
Vindouro.

Vinho
Da
Posse
Entronizada
E
Crística:
Medo,
Forma
Negra
De
Dionísio.

A
Peneira
Filetes
D´água
Oniricamente

Larga
E povoa
Este
Monte

Infindo.
A
Olímpica
Forma

Do
Brasil
Origina-se
De
Teu
Mênstruo.


Marcus Minuzzi


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pedra-sabão


Ensaboa com pedra-sabão
O quanto baste,

Para saltar
Teu nervo em flor.

Purifica teus cabelos.

Curva teu dorso
Até sentir dor.

Unta com óleo e cheiro
A fruta doce do seu Amor!


Sílvia Goulart

Coração solar da América



Cometa astrológico
Fazendo música
Mântrica que negrifica
O mor coração solar
Da América.


Marcus Minuzzi

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Oração dionisíaca


A deusa torna a vitória doce.
Oro dionisiacamente

Dono de minha
Deusa fonte lírica.

Nossa forte liturgia.
A meta intensifica o amor.

Moramos com tudo o que tenta
Pacificar o Brasil.

Somos pessoas alimentando
O febril modelo do trópico formoso.


Marcus Minuzzi

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Musa arcana do Brasil



Para a Sílvia

Oro, ó vulva arcana do Brasil.
Sexo frondoso da floresta.
Oro, abençoada mãe
Da mulher morena virgem nua.
O manto que colore tua nova forma
É minha lenta e centenária cópula.
Pontos novos sobre tua pintura tântrica.


Marcus Minuzzi

terça-feira, 27 de julho de 2010

A permanência do pequeno


Brincos dourados eu ponho.
Ponho penas portentosas.
Toco as três falsas misteriosas modas.
Minto hoje, recebo loas.

Mulher despida, musa artística, virgem pura.
Põem-me por sobre altares,
Vontade de perdão.
Damo-nos o monte dos seios.
Queremos rotação.

Leigos,
O ordinário nesse mundo.
No gozo, o mágico, o mel do cristo,
Um natal.
Doma menos cruz.

Janeiro personifica meu rodar.
Listras circundam o menos circular.
Oco mundo interior, sabe a dentro.
Oito pássaros noturnos, calados,
Sabem a muito pouco,
À permanência do pequeno.


Marcus Minuzzi

sábado, 24 de julho de 2010

O vegetal me sacralizou




O vegetal me sacralizou.
Enterneço.
O reino úmido.

Ora vejo-te parreira.
Isso é pai,
Porque é vinho.
Ora vejo-te
Ordem menor de planta:
Pequeninas,
Pequeniníssimas flores
De estreito laço com o infinito.

Crispo minhas frutas,
Meu ordenhar.
Ardo.
Porque, meu deus,
Tanto ardo?

O gozo é vulcânico
E melhor quando ardo.
Não pereço quando ardo
Obscuro e lento.

Boi é lento.
O bezerro mama letras.
Toda vez que gozo,
Um lento animar-se leva-me.
Há menos necessidade
De sacrifício
Para que eu cresça.


Marcus Minuzzi

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O retinir dos pássaros




Amado, menino, homem.
Menino-de-deus, tocável como fruto.
Mênstruo maior eu tenho, guirlandas.
Moro no retinir dos pássaros,
Beijo-fátuo.
Belisco o olhar.

Brasas moram no meu leito rumoroso.
Homem, homero: ardo.
Ó louro e mágico.
Lado menos místico e circular,
Deus moderno,
Adornai-me de humano,
De quentes e doces desejos,
Dominativos mas educados,
Menos candentes,
Mais filosóficos.
Põe teu persecutório verbo
No minúsculo do bico de meu peito.
Perdê-lo é desprender-se,
Recuperá-lo,
Teu homonizar-se.


Marcus Minuzzi

sábado, 3 de julho de 2010

Fogo letal homérico do lado lusíada


Léxico gostoso e profundo
De geraes que não conheço.
Glosa aumentada,
Festa de retalhos e de pássaros simples.
Pássaros verdes de perto da fonte.
Fogo letal homérico do lado lusíada,
Lento no ardor,
Requerendo pastos para o teu gado.
Conheci minudências.
Conheci guerras, o vértebro alheio.

Conheci Rosa.
O Rosa rês sonora.
Ô Rosa,
Pelo literal,
Cego místico,
Sertão marinho.
O largo está no canto
E no curral.
O vasto é místico querer:
Mulher-vaca.
A vaca sorrindo,
O maior anseio.

Retive nos bentos pastos
O sorriso retilíneo de
Um Rosa-vaca.
Gosto do mundo,
O cheiro de um querer de Dionísio.
Colo quente do mundo,
Festa quente,
Cabeça nua de beato crescendo,
Colo dionisíaco.
Crostas de ritos:
Louvações menos sacras,
Mais profanas.
O deus no meio da rua,
Entre coxas fogosas.


Marcus Minuzzi

A Negra Ama Jesus na Germina Literatura

http://http://www.germinaliteratura.com.br/2010/a_negra_ama_jesus.htm

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ave branca de asas limpas




Ave branca de asas
Limpas,
Alimenta meu coração
Petrificado com teu
Bico de ouro.
Que tua saia rodada
Me glorifique.
Obrigado ave santa.
Hoje, a manhã
Pintada pela tua aura
Azul alaranjada
Me entregou o pássaro
Livre.
Sereno pássaro de Deus.


Sílvia Goulart


A conta coletora coletiva