sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Coração solar da América



Cometa astrológico
Fazendo música
Mântrica que negrifica
O mor coração solar
Da América.


Marcus Minuzzi

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Oração dionisíaca


A deusa torna a vitória doce.
Oro dionisiacamente

Dono de minha
Deusa fonte lírica.

Nossa forte liturgia.
A meta intensifica o amor.

Moramos com tudo o que tenta
Pacificar o Brasil.

Somos pessoas alimentando
O febril modelo do trópico formoso.


Marcus Minuzzi

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Musa arcana do Brasil



Para a Sílvia

Oro, ó vulva arcana do Brasil.
Sexo frondoso da floresta.
Oro, abençoada mãe
Da mulher morena virgem nua.
O manto que colore tua nova forma
É minha lenta e centenária cópula.
Pontos novos sobre tua pintura tântrica.


Marcus Minuzzi

terça-feira, 27 de julho de 2010

A permanência do pequeno


Brincos dourados eu ponho.
Ponho penas portentosas.
Toco as três falsas misteriosas modas.
Minto hoje, recebo loas.

Mulher despida, musa artística, virgem pura.
Põem-me por sobre altares,
Vontade de perdão.
Damo-nos o monte dos seios.
Queremos rotação.

Leigos,
O ordinário nesse mundo.
No gozo, o mágico, o mel do cristo,
Um natal.
Doma menos cruz.

Janeiro personifica meu rodar.
Listras circundam o menos circular.
Oco mundo interior, sabe a dentro.
Oito pássaros noturnos, calados,
Sabem a muito pouco,
À permanência do pequeno.


Marcus Minuzzi

sábado, 24 de julho de 2010

O vegetal me sacralizou




O vegetal me sacralizou.
Enterneço.
O reino úmido.

Ora vejo-te parreira.
Isso é pai,
Porque é vinho.
Ora vejo-te
Ordem menor de planta:
Pequeninas,
Pequeniníssimas flores
De estreito laço com o infinito.

Crispo minhas frutas,
Meu ordenhar.
Ardo.
Porque, meu deus,
Tanto ardo?

O gozo é vulcânico
E melhor quando ardo.
Não pereço quando ardo
Obscuro e lento.

Boi é lento.
O bezerro mama letras.
Toda vez que gozo,
Um lento animar-se leva-me.
Há menos necessidade
De sacrifício
Para que eu cresça.


Marcus Minuzzi

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O retinir dos pássaros




Amado, menino, homem.
Menino-de-deus, tocável como fruto.
Mênstruo maior eu tenho, guirlandas.
Moro no retinir dos pássaros,
Beijo-fátuo.
Belisco o olhar.

Brasas moram no meu leito rumoroso.
Homem, homero: ardo.
Ó louro e mágico.
Lado menos místico e circular,
Deus moderno,
Adornai-me de humano,
De quentes e doces desejos,
Dominativos mas educados,
Menos candentes,
Mais filosóficos.
Põe teu persecutório verbo
No minúsculo do bico de meu peito.
Perdê-lo é desprender-se,
Recuperá-lo,
Teu homonizar-se.


Marcus Minuzzi

sábado, 3 de julho de 2010

Fogo letal homérico do lado lusíada


Léxico gostoso e profundo
De geraes que não conheço.
Glosa aumentada,
Festa de retalhos e de pássaros simples.
Pássaros verdes de perto da fonte.
Fogo letal homérico do lado lusíada,
Lento no ardor,
Requerendo pastos para o teu gado.
Conheci minudências.
Conheci guerras, o vértebro alheio.

Conheci Rosa.
O Rosa rês sonora.
Ô Rosa,
Pelo literal,
Cego místico,
Sertão marinho.
O largo está no canto
E no curral.
O vasto é místico querer:
Mulher-vaca.
A vaca sorrindo,
O maior anseio.

Retive nos bentos pastos
O sorriso retilíneo de
Um Rosa-vaca.
Gosto do mundo,
O cheiro de um querer de Dionísio.
Colo quente do mundo,
Festa quente,
Cabeça nua de beato crescendo,
Colo dionisíaco.
Crostas de ritos:
Louvações menos sacras,
Mais profanas.
O deus no meio da rua,
Entre coxas fogosas.


Marcus Minuzzi

A Negra Ama Jesus na Germina Literatura

http://http://www.germinaliteratura.com.br/2010/a_negra_ama_jesus.htm

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ave branca de asas limpas




Ave branca de asas
Limpas,
Alimenta meu coração
Petrificado com teu
Bico de ouro.
Que tua saia rodada
Me glorifique.
Obrigado ave santa.
Hoje, a manhã
Pintada pela tua aura
Azul alaranjada
Me entregou o pássaro
Livre.
Sereno pássaro de Deus.


Sílvia Goulart


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Buriti



A lata


D´água


Benta


Barriga


Boa


É


Deus


Ocando


O


Buriti.


Marcus Minuzzi

Os cantadores


Os cantadores sonham
Com pedras panteístas.
Os colecionadores aliam
A palavra boa ao berro do boi.
Nunca soltam o mito onde
Há certezas ante o olho.
Goiana batista melodia.
Ouro anhanguera
Em ponto caboclo.
Ouro aborígene aboborado.


Marcus Minuzzi

domingo, 20 de junho de 2010

Escrevo



Sempre me pareceu longe, muito longe,
Quando escrevo.
Como que um lugar bem melhor indicado
Para se estar e em que se está para se falar certas coisas
E bem mais.

Há uma misturação de personagens.
A literatura é um grande lugar.

Não existiríamos,
Se não houvesse aqui, esse lugar,
Do Escrevo.

Parece que a distância também aumenta.
Ao que recorremos, nessas horas?
Como se eu fosse a um grande oratório,
Ter com não sei a quem.
As Horas.

Para onde nos afastamos, nessas
Grandes horas d´O escrevo?
É que Surge, dentro do peito.

Adormeço.
Ao que Eu escrevo.
Ó Deus, ao qu´Eu escrevo?
À consciência grande dentro de nós mesmos.
Sim, eu creio.

Aqui está a Mãe,
Toda dourada e bela.

Por favor, deixem-me
Ornar a Mãe.

Não é esse lugar bom?
É o mais grande, de fato.

Somos todos heróis da grande literatura alada.
Precisamos nos imaginar como
Sendo grandiosos.

Aqui estamos, morando,
Como coisas que se arrastam pelo chão.

Uma cidade é sempre uma imaginação
Como um grande fictício,
Deus nos requer esse idílio.

A voz é interna.
Somos vocacionados pela estrutura de antes.

Agora isso explode.
Não há como não fazê-lo, e não sê-lo (deixar de sê-lo).

Estamos vocacionados pela estação.
É o que todos queremos.
É o que eu repito
Ad infinitum
Ao deus, aos cegos, aos mares.
Aos seus, aos céus, aos mares.
Ao infinito.


Marcus Minuzzi

sábado, 12 de junho de 2010

Desbravar pela fé


A navegação
Orientada pela fé
Segue seu rumo
Em alvas ondas musicais.
O longe agora é perto.
Quando o mar agita o sonho,
O coração navega sem leme.
O corpo descabido e sinuoso
Atravessa, de um ponto magnífico,
O oceano bravo e salgado.
Já é hora da virgem nua
Desbravar seu marujo.
Chega sem pressa.
Traz a cabeça coroada
Com a bênção de Santo Rei.


Sílvia Goulart


quinta-feira, 10 de junho de 2010

O ritual


Cortar em quatro.
Um corte bem feito.
Preciso.
Arrumar sobre um prato verde, delicado.
As formas arredondadas
Para acordar as salivares.
O molho ao sugo,
Com ervas frescas do quintal.
O cheiro deve aguçar os instintos,
Breves, mas intensos.
Lampejos agudos de prazer.
Servir à meia luz.
A toalha de flores
Amarelas para guardar
O ritual.
Vinho tinto seco,
Que o corpo da mulher em questão é bento.
Cuidado, filho!
Come.
Reza.
Curva-te.
Benze-te com sal grosso.
Estás curado e digno.


Sílvia Goulart

domingo, 6 de junho de 2010

O deus das cores


É santo quem pinta a alma!
É santo quem mostra a face com as suas imperfeições.
A obra imperfeita é metáfora da existência.
Borrada ou colorida.
O traço do artista não mascara a dor.
Persiste no belo,
Mas conserva o que é autêntico e divino.
Divino é o deus das cores.
Louvados sejam nossos dedos e olhos abertos.


Sílvia Goulart


A conta coletora coletiva